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Manejo adequado do solo pode reduzir perdas pelo clima
Manejo adequado do solo pode reduzir perdas pelo clima
A seca foi uma das maiores vilãs da soja na safra passada (2008/2009), mas pelas atuais previsões climáticas as chuvas abundantes e acima da média é que devem dificultar a implantação e desenvolvimento inicial das lavouras pelo excesso de umidade. A afirmação é dos pesquisadores da Embrapa Soja, Julio Franchini e Henrique Debiase.
Esse cenário mostra que tem ocorrido eventos climáticos extremos, tanto por excesso como por deficiência de chuvas. De acordo com os estudos conduzidos pela Embrapa Soja e seus parceiros, os prejuízos causados pelo clima poderiam ser reduzidos, se algumas práticas de manejo do solo e da cultura, fossem continuamente adotadas. “Isto quer dizer melhoria da qualidade do solo para permitir o aumento do volume de água armazenada; melhoria de uso da água pela soja, por intermédio do acesso das raízes a reservatórios de água mais profundos - em caso de deficiência - e melhor capacidade de infiltração e drenagem da água, em caso de excesso de chuvas”, explica o pesquisador da Embrapa Soja, Júlio Franchini.
Para ele, o sistema de plantio direto é capaz de atender a esses requisitos, desde que haja manutenção do solo coberto, revolvimento mínimo e prática de rotação de culturas. “Os principais benefícios do plantio direto são a manutenção da cobertura do solo, a preservação ou aumento do teor de matéria orgânica e a melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo”.
De acordo com ele, alguns fatores associados ao manejo do solo e da cultura como a falta de escalonamento de semeadura e o uso generalizado de cultivares precoces também podem afetar a produtividade. “Na safra passada, o uso de cultivares precoces fez com que as fases críticas de florescimento e enchimento de grãos coincidissem com o período de ausência de chuvas. Nessa safra, o mesmo procedimento pode causar problemas no estabelecimento da cultura pelo excesso de chuvas”.
Compactação do solo – Segundo Franchini, o manejo inadequado do solo tem levado à redução no teor de matéria orgânica, resultando na formação de camadas compactadas de solo no plantio direto. “Essas camadas restringem o desenvolvimento radicular da soja à superfície do solo, em termos práticos, significa que o tamanho do reservatório de água disponível às plantas de soja, por um lado, e a capacidade de infiltração de água, por outro, são substancialmente reduzidos”, explica.
Para o pesquisador, sob condições de excesso de chuvas a compactação reduz a capacidade de infiltração de água no solo e aumenta o volume de água perdido por escoamento superficial. Associado ao processo de compactação do solo, a ausência de rotação de culturas tem proporcionado o aumento na incidência de doenças radiculares (macrophomina e fitóftora). “Isto também contribui para redução da capacidade da planta tolerar os períodos de estresse hídrico devido à restrição do reservatório de água disponível”, diz. Sob condições de excesso de água, a falta de aeração do solo também favorece a ocorrência de doenças.
Franchini enfatiza ser importante considerar ainda que sistemas de produção de soja caracterizados por uma baixa cobertura do solo, como no caso da sucessão soja/milho safrinha, favorecem a infestação por plantas daninhas, como a buva. “Portanto, é preciso que o milho safrinha divida espaço na propriedade, por intermédio do sistema de rotação de culturas, de modo a conferir sustentabilidade à produção de soja”.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, Henrique Debiasi, a substituição do milho safrinha por plantas de cobertura do solo, em até 50% da área da propriedade, consegue aumentar a produtividade da soja e viabilizar o custo da rotação de culturas. “Estudos mostram que com um aumento de 5 sacas de soja por hectare, devido à melhoria das condições do solo pela rotação de culturas, torna-se viável economicamente a redução da área de milho safrinha”, calcula.
Embrapa Soja
Jornalista Lebna Landgraf (2903)
(43) 3371-6061
24/11/2009
09:23:55
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